cheap love, sheet's love, shit love





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Terça-feira, Março 29


Afogas-te nos ossos que Deus não te deu, lamuriando a religião que o mundo te fez assumir. Não pensas, não sonhas. Derivas antes que fiques derivado. Derivado como o português? Não, nada disso.
Palavras, actos e omissões derivados do latim. Então derivados de mim? Ou de outréns?
Que interessa ou quem quer saber, se é que tudo é relativo e ninguém diz o que exercer sobre tudo, mas mesmo tudo o que há para fazer.
Fartei, sumi, morri, evaporei, nasci, bebi, avaliei e decidi: não, hoje já não vale a pena.

Quarta-feira, Fevereiro 9

"A origem neurofisiológica das emoções que sentimos encontra-se no cérebro, no sistema límbico. Muitas reacções que nos parecem intuitivas são respostas emocionais dadas pelo cérebro aos estímulos que recebe, através do sistema límbico."
 
E n ✝ ã o ?
Não me apetece falar, talvez nem me apeteça escrever. Não me apetece comunicar, muito menos expressar-me e ficar com tudo a perder. Não me apetece existir, apesar de continuar com a minha vivência quotidiana  do meu sistema límbico. Não me apetece acordar, no entanto, não me apetece adormecer, muito menos dormir. 
E n ✝ ã o ?
Já não sei se quero ser vegetal ou animal, se quero comer ou vomitar, se quero correr ou simplesmente passear e andar, andar até parar. Ou nunca parar.
E n ✝ ã o ?
O que ouvia já não oiço. O que falo já não sinto. O que digo já não existe (talvez nunca tenha sequer existido). O que como já não sabe a nada. O que sinto... já não sei o que sinto.
E n ✝ ã o ?
Então nada.

A c o r d a. ✝

Domingo, Fevereiro 6

Sonhamos com o mundo, sonhamos com as pessoas, sonhamos com as situações. Sonhamos com todo o mundo, sonhamos com todas as pessoas, sonhamos com todas as situações. No entanto, porque continuamos adormecidos? Como neve acabada de se instalar no cume dos montes e das serras, ficamos à espera, ficamos à espera e à espera. Esperamos que nos comecemos a derreter, esperamos que nos transformemos em água, para começar a correr que nem loucos pelos montes e serras abaixo. Abaixo a prisão, olá liberdade verde.
Mas são só sonhos, eu continuo a dormir, e tu também. E quando acordarmos, já nem do sonho nos lembramos. E assim esquecemos-nos do mundo, das pessoas, das situações. Descemos os montes e as serras, mas não a correr que nem loucos, simplesmente, descemos, e vamos descendo, a descer. Eternamente a descer, até pararmos, para mais uma vez deitarmos-nos na nossa cama, adormecer e voltar a sonhar com o mundo, voltar a sonhar com as pessoas, voltar a sonhar com as situações. Todo, todas e todas.

Domingo, Outubro 3


Olá Outono, sê bem-vindo.

P.S. tive muitas saudades tuas.

Terça-feira, Agosto 31


Está a chover. Antes estava a trovejar. Pela janela entra o vento, que trás  com ele o aroma nojento e peganhento do alcatrão. Com o meu nariz cheiro-o negro, viscoso.
Está a chover e antes estava a trovejar. E eu já só consigo pensar no quanto me apetecia ter te aqui, deitada de costas para mim, na minha cama. para que me pudesse encaixar em ti, os meus joelhos alinhados com os teus, a minha barriga encostada às tuas costas, as minhas mãos entrelaçadas com as tuas mãos, apertadas contra a tua barriga. E o meu nariz afundado nos teus cabelos, onde já não cheira a alcatrão. Os meus lábios a procurarem pelo olfacto o teu pescoço e as tuas orelhas.
Lentamente, mergulho numa melancolia cor de melancia. Envolve-me, despe-me, envolve-me ainda mais. Adormeço. 
Acordo a pensar na musica by the sea, do sweeney todd e a olhar para a janela do meu quarto. Onde as folhas das árvores dançam agora com as gotas quentes, desta chuva de Agosto. Quase Setembro, quase o meu doce e esperado Setembro. O meu Setembro cinzento.

Junto-me então a elas. Não há grande coisa para fazer aqui por casa. Só mesmo respirar. E de forma continuada, continuar a respirar. Sempre, continuar a respirar.


Quarta-feira, Agosto 25

Luz cor de manga no teu ombro. Pele casca de laranja, obviamente desejando-me a mim como eu a ti. Olhos de maracujá, ácidos, coloridos, sem cor definida e no entanto, deliciosos e de ser perder.
Estou com fome, estou faminto, o meu coração agora mora no estômago e estou simplesmente a morrer de fome, a morrer de fome por um pedaço teu. Quer seja o teu ombro nu, quer seja os teus olhos incoloridos, quer seja as tuas mãos cruzadas, quer seja o teu cabelo ondulante, quer seja o teu pescoço giratório, quer seja o teu profundo umbigo, o que quer que seja, não quero saber. Estou a morrer de fome. Mas não te preocupes, no que toca a esta fome sou vegetariano, por isso, não te vou fazer mal.

Terça-feira, Agosto 24

O caos do mundo é o teu cabelo. Desculpa-me a visão egocêntrica, mas é (quase) a única que tenho. Infelizmente, as cores também já me abandonaram. Já só tenho o preto e o branco, e a mistura destes dois. É nessa mistura que também eu e tu nos encontramos. Algo estranho, inexplicável, e super super caótico. O teu cabelo é o caos, mas quem disse que eu não o adoro? Pois é! Eu adoro caoticamente o caos no teu cabelo. Banho-me nele, deixo-o entranhar-se enquanto lentamente eu próprio me vou entranhando em ti e tu em mim. Fazêmo-lo numa dança muito própria, muito misteriosa. Nem sei como, pois fechamos sempre os olhos, para termos tudo totalmente preto, nada de misturas para além da nossa. Preto, a ausência de luz. É o que é preciso. É o que é preciso quando se está a criar uma luz nova. Uma nunca antes vista e que jamais será vista, pois só será vista por nós. Vista, sentida, tocada, feita!, por nós.
Amarras bem o teu cabelo à volta do meu pescoço. Agarras-me com tanta força que até me dói, mas eu não quero saber, é uma dor boa. Uma dor segura, que me dá, não prazer, mas sim um certo sentimento de.. embalo. Um embalo longo, precioso. Infelizmente, efémero. E como a vida de uma libelinha, rapidamente a sensação dolorosamente confortável se vai.. esvoaça então no vento, nas asas de uma nova libelinha, de uma nova luz!
E é assim feito. É assim criado, uma nova luz, uma nova união, um novo fruto. E é assim, que digo: bem-vindos ao ciclo.
Se é de dia, apagamos a luzes, desmontamos a tenda. Se é de noite, criamos tudo de novo. Pois tudo desaparece com a renovação do nosso amor em cada beijo, em cada carícia. O mundo nunca é o mesmo depois de um roçar de narizes. A paisagem no comboio nunca é a mesma depois de um bocejo trincado na bochecha. Só há uma coisa que permanece igual: o céu. O céu à noite, com mil e umas estrelas salpicadas, a borbulhar no azul escuro do céu infinito. Se houvesse só uma, sozinha, era feio e era triste. Mas felizmente tal não acontece. E ao contrario de mim e de ti e de todos os outros, nunca nos sentiremos tão afastados e no entanto tão quentes.
Por isso, ainda bem que não sou uma estrela. Sou um humano, frio e desejoso do teu calor. Calor esse que só consegue transbordar quando juntamos os nossos frios, quando os nossos dentes a ranger se tocam por intermédio dos lábios, quando os nossos dedos já ligeiramente arroxeados se abraçam e se entrelaçam uns nos outros e acabam por escorregar por sítios que passam o dia inteiro tapados, também desejosos de um pouco de ar puro de no entanto, também de toque.
Como alguém disse, the night is for the lovers, e não podia estar mais correcto. Quer seja no meio da cidade suja e movimentada e poluída, quer seja no campo aberto e infinito, quer seja num quarto, debaixo das cobertas. Com sorrisos cúmplices e com toques inocentemente calorosos. É desses pormenores que se fazem as noites, mas não umas noites quaisquer. É desses pequenos e singelos prazeres que se fazem as noites de amor. E não só de pormenores...
Mas qual a graça de estar a contar o resto, se o podemos fazer? Vá! Pega numa estrela, duma noite, com uma pessoa e pormenoriza. Pormenoriza até ao mais pequeno e infimo pormenor.

Terça-feira, Agosto 17

Os sentimentos são como os refugados: querem-se bem apurados para não estragar o resto da refeição. Por isso, quem é que está farto de fast food e fast love? Eu estou.

Quarta-feira, Agosto 4

Porque é só mesmo se acreditares é que consegues. Não é uma questão de ser imaginativo. Não, acredita que não é nada disso. Não é uma questão de algures no meu cérebro ainda ter um espaço unicamente dedicado ao meu ser criança. Não, acredita que não é nada disso. Não é uma questão de simplesmente querer muito e por tal razão, acabar por se concretizar o que quer que seja que eu quero muito. Não, acredita que não é nada disso.
É tudo uma questão de... acreditar. É por isso, que eu voo, e tu não. Porque tu, não queres acreditar. E mesmo, comigo a voar, tu dizes que não estou a voar, porquê? Porque tu, não queres acreditar. E mesmo comigo a pegar-te a mão e fazer-te voar, tu continuas com os pés no chão, porquê? Porque não são os teus pés que estão no chão, é a tua cabeça. E dentro dela está nem mais nem menos as asas que precisas para voar comigo.
Sim, eu sei que não é voar. Cientificamente, é saltar e ficar suspenso no ar por três segundos. Mas em câmara lenta, esses três segundos viram 3 minutos. E em câmara super lenta viram 3 horas, e isso sim, já é voar. Por isso, porquê acreditar na ciência? A ciência diz que estar apaixonado é a libertação de químicos do nosso cérebro. E eu digo "que sa foda a libertação de líquidos do meu cérebro". Para que isso interessa para alem de matar mais uns quantos neurónios? Não interessa para nada!
Então, do que estás à espera para pores a ciência de lado, juntamente com o cepticismo, e juntamente com toda a gravidade que insistes em plantar no lugar onde devias plantar a imaginação, a vontade e a outra coisa (que disso, eu terei todo o gosto em tratar), o amor.

Quarta-feira, Julho 28

O calor é anti-amor. Tenho dito.

Segunda-feira, Julho 26

O problema do amor.. é pah, é uma merda. Um merda pegajosa que se pega a nós e infiltra-se até à mais intima e enterrada molécula do nosso ser e nem que nos raspássemos todos até essa mesma ultima molécula, mesmo assim ele não desapareceria. O que seria mau sinal, pois teríamos amor por raspar coisas, incluindo a nós próprios.
Mas vá, noutro ponto de vista é o seguinte: se é possível haver uma merda boa (atenção não boa merda), o amor é uma dessas merdas. "Love is tha shit"
E é mesmo, merda e amor andam de mãos dadas. De qualquer maneira é bom, sabe bem. Deixa-nos falaciosamente satisfeitos e contentes. No entanto é tão ambíguo que não dá para manter uma só pessoa a debatê-lo. Se fosse só uma pessoa para debatê-lo, então teria que se dividir ao meio e eu sinceramente, não estou ainda mais para isso.
Por isso, com vossa licença vou voltar para a minha merdosa relação de amor-ódio-merda (com a ordem que vocês quiserem).

Sábado, Julho 24

Agora também eu me deixo levar. Já não quero saber do que me prende. Já não peso nada, estou mais leve que uma pena, no entanto mais pesado que vazio. A minha sombra abandona-me, vai à procura de um corpo novo. Foge entre as sombras das árvores da rua, projectados por candeeiros já com fraca vida pulsando em ondas de luz de um laranja perdido e melancólico.
O coração da cidade vai esmorecendo, permitindo assim que os demónios da noite se apoderem das ruas onde a sombra já é negra. Sendo assim eu, não quero saber. O que quer que seja que se apodere de mim só peço que seja rápido, pois só quero é partir. Quero também ser a ultima folha que lentamente se solta da sua árvore no fim do outono, e a planar, vai procurar um bom pedaço de solo para aí poder sofrer a sua bela e dançante metamorfose para finalmente, se transformar numa nova árvore, igual àquela que em tempos habitou e que donde antes sugava amor através da seiva.
Também eu me quero largar e entregar ao vento e que este me leve para um novo sítio, um novo pedaço de terra. Um que nunca tenha sombra, nem que esteja poluído. Quero um pedaço virgem, para nascer virgem, outra vez.

Sexta-feira, Julho 23

Quando entrares fecha a porta por favor. Porque a partir do momento que entras, essa porta já não se quererá mais aberta. Não quero saber que me chamem sonhador ou que tudo o que considero bom e agradável seja baseado em coisas irreais, não quero saber nada disto que se quando chegares, vieres ter comigo e fechares a porta. Assim que entres és minha, e queres que assim seja, caso contrario, não fechavas a porta.